quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Belém, da memória e do aniversário - 395 anos

Grand Hotel - Av. Pte. Vargas Séc XX,  demolido em 1975 para dar lugar ao hoje Hilton Hotel
Foto extraída do Livro Belém da Memória

Dona Belém está fazendo aniversário, 395 anos. Quem diria... Dona Belém da Belle-Époque; a mesma que viu os bondes surgirem, viu os bondes partirem.
Foi frequentadora assídua do Grande Hotel, morou na Rua da Paz, foi vizinha da Baillique, curtiu o Largo da Pólvora, viajou no "Presidente Vargas", trilhou nos trens da "Belém Bragança". Foi amiga de Denner, Eneida de Moraes, Dalcídio Jurandir e tantos outros ilustres que Dona Belém se dava tão bem. Essa senhora teve filhos, infinitos netos, bisnetos, tataranetos e por aí adiante. Dona Belém foi uma das mais elegantes senhoras desse país no século XIX, em seu lar, recebia pessoas de todas as classes sociais, afinal, era ela muito refinada. Na Europa, chamavam-a de "Princesinha do Norte" arquitetos europeus, muitos da Itália, chegavam trazendo na "bagagem" planjamento e obras de arte que seu apaixonado Antônio José de Lemos mandava buscar. O Intendente de Dona Belém, queria vê-la, luxuosa, imponente e bela. Por isso, não poupava esforços e nem dinheiro para ver sua amada cada dia mais linda, despertando inveja naqueles que não a souberam amar.
Dona Belém, gostava de apreciar o carnaval no Largo da Pólvora, e que depois, seus tataranetos a transformaram em praça - Praça da república.
Hoje, Dona Belém está completando mais um ano de vida. Pena que já não esteja mais lúcida para ver as transformações que seus familiares fizeram em sua casa. Os Trens já não existem mais, deram lugar a um trânsito caótico e que se complica a cada dia.
O Hospício, a Casa Cruzeiro, a Fábrica Palmeira, o Grande Hotel, O Cine Palácio - e que Palácio! O Teatro São Cristóvão, agora fazem parte do passado. Até as ruas, tiveram seus nomes trocados, e assim, os netos de seus tataranetos jamais saberão como começou a vida de Dona Belém e de seu grande amor Antônio Lemos, a quem lhe dedicou incondicional amor. Mas..., estão festejando, e, acredite se quiserer; nos mais altos decibéis. Tirando o sono, o sossego e a paz dos amigos de Dona Belém, que lhe querem tão bem.


Receba meu carinho, meu afeto e meus parabéns por mais um ano, minha querida D. Belém.

12/01/2011 Rosana Rodrigues





quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Textualidade



Não escrevo para agradar. Escrevo para estimular meus neurônios, é um exercício diário onde expulso todo o meu estado verbal. Escrevo para exorcizar meus fantasmas interiores. Escrever é uma tarefa gostosa, chega a ser quase arte, assim como dançar, pintar, cantar, compor, cozinhar, costurar etc. cada pessoa tem habilidades diferentes que podem ser construídas ou não.
Gosto das figuras de linguagem, a antítese me dá uma sensação de canto, elas parecem melodias em sequência simples, metáforas são as que mais gosto. Não desprezo o eufemismo as vezes ele é tão preciso que se torna necessário.
A arte tem essa vantagem de possibilitar “N” maneiras de interpretação, do contrário, não seria arte, e sim, um objeto a mais sem conteúdo do qual ninguém olha e ninguém vê. A arte não veio para agradar, a arte existe e pronto. É a informação particular de cada elemento com um propósito único. É por isso que a arte é abstrata.
Quando pincelo minhas idéias verbais, recebo comandos do cérebro informando o que dele compreendi. Agora, se você se identifica com o que escrevo ou escrevi. Digo: isso é compreensão por absorção.
Certa vez, escrevi no perfil de meu blog que sou um bicho. Ora, ali eu sou um elemento abstrato. Não estou ali como bicho para elucidar; o bicho é você, que lê, que vê e quer que exista. A figura de linguagem ali existente é apenas para ilustrar. Mas a metáfora tomou proporções inversas quando eu disse que poderia ser uma cobra. Ora, tem gente que ama cobra, outros, tem verdadeiro horror! Os animais são artes da natureza, por isso, o enleio continua entre ofídios e humanos.
Rosana Rodrigues
31-07-2010

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Fotografia


                                              Foto de Priscila Caminha

Fotografias são revelações da alma. O olhar fotográfico, de longe é o mesmo olhar de quem as vê. Fotos me revelam sensibilidade, nelas vejo cores, sinto texturas, sinto gozos. A luminação iluminada em cada flash, revela um pano de fundo que cada fotógrafo escolhe.
Visito cemitérios, neles vejo fotografias antigas em cores que parecem falar comigo. Fito olhares mortos, eles falam, gesticulam, articulam e selam ausências desbotadas esgotadas pelo tempo.
Fotografias em preto e branco, são como alma e corpo que precisam de luz para obter sombra. Elas se fundem numa neutralidade permanente, por isso, falam comigo. Elas precisam de papel e de revelação, é a vida imitando a arte em cores dadas por mim.
Criar imagens por meio da luminosidade poderia chamar de foto, mas a fotografia é algo além da foto, além de mim e do próprio autor. Comparo as belas fotos com comportamentos, elas se refletem na lente de quem as lê, de quem as vê. Vemos pessoas, mas não vemos sua alma. A fotografia para que de fato exista, tem de ser revelada. A alma, quando exposta, também revela. Pode ser colorida, desbotada e sem cor. Resvala-se entre o imediatismo e o factual.
Nada me revela mais que a arte. Trago comigo meu script, modifico-o com o passar das horas e nele envelheço revelando minha fotografia hormonal. Tombo com o tempo, amareleço, desboto e me inquieto olhando pra você que me vê de fora pra dentro.

                                                                              Texto de Rosana Rodrigues
                                                                              

 

Comportamento


Uma coisa que sempre me chamou a atenção foi envelhecer a dois. Há tempos, os casamentos eram escolhidos pelos pais, na maioria das vezes, a noiva só ia ver o seu futuro marido no dia do casamento. A mulher era mesmo um objeto, um negócio, uma mercadoria. E até hoje, essa prática é comum em países onde a poligamia é permitida. Contudo, quero falar de amor. Minha avó materna, conheceu meu avô numa viagem de trem. Ela nos contava com tanto entusiasmo seu primeiro amor à primeira vista, que chegávamos a voltar ao tempo, só para ver o brilho dos seus olhos. Vovó, dizia que ele era elegante, bonito, inteligente e um homem extraordinário. De fato; vovô era tudo isso e muito mais. Era meu vovozão querido. Viveram 65 anos de casados, 3 filhos e 8 netos. Infelizmente não viveu o suficiente para ver seus bisnetos.

Lembro-me, vez por outra, ele nos levava ao cinema para assistirmos filmes de “Tarzan.” Na volta, passávamos em uma sorveteria e fazíamos a festa. Pronto! O domingo estava completo.

A sociedade “moderna,” sobretudo dos grandes centros urbanos, sofreu com a metamorfose da separação. Primeiro, a separação dos pais, antes visto só com a morte e raras vezes com o abandono da família. Depois, veio o desquite e, consequentemente, o divórcio. Não obstante esse turbilhão, eis que surge o banal. Banal, porque as relações perderam seu real sentido em existir. A liberdade exacerbada do sexo aberto, permissivo e promíscuo, avançou desmedido confundindo cabeças atreladas a álcool, drogas e rock end roll.

Sinto saudade dos tempos onde se namororava na porta de casa e nossos pais conheciam nosso namorado(a), e as famílias também. A libidinagem era a tônica do namoro cheio de desejos e aflições. Com o advento da liberdade, calou-se para sempre o respeito.

Não sou contrária a liberdade, e sim, aos excessos, os limites inexistentes. A banalização do desejo através do sexo e da nudez explicita, antes vista só em filmes pornôs. Não estou enfatizando e nem reforçando um comportamento “machista” em meu discurso, enfatizo sim, valores, a valorização da mulher como mulher. Atuante, moderna, equilibrada, independente, inteligente e presente. Presente na vida dos filhos, presente no trato familiar, presente no seu cotidiano; sem se ausentar de seus sonhos e sem perder seu encanto.

Ouço com muita frequência, amigos meus dizerem que o casamento é hoje uma entidade falida, esses amigos que ouço-os falar assim, estão sós, e, o mais contraditório, é que estão a procura de alguém para se relacionar. Muitos, buscam mecanismos nada ortodoxos na internet, sem ao menos saber que aquela pessoa existe de fato. Os comportamentos mudaram ou mudaram as pessoas conforme seus comportamentos?

Texto de Rosana Rodrigues
Belém, 31-07-2010
Fotografia extraída da Internet através do GOOGLE

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

PENSAMENTO...



Não podemos e nem devemos depositar nada demasiadamente em alguém e nem em ninguém.
Nossas expectativas a criamos para nos motivar a estar vivos (as), são elas os delírios dos sonhos.
As satisfações estão no interior de nossas criativas mudanças. O outro, é um coadjuvante que interpretará ou realizará sonhos sonhados com cada ator principal. O estado constante de paz, interpretará desejos de plenitude. E, essa plenitude se transformará em amor vivido, amor repartido e amor dissolvido. Nada é eternamente infinito mas dividir objetivos comuns precisam de muita sabedoria. E como precisam.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Tango


Um passo. Em cada passo, passo por você.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Meu Primeiro Documentário


São Bráz, o Complexo da História, foi meu primeiro documentário 9minutos - vencedor da categoria "Na Sequência", da Terceira Mostra de Cinema e Vídeo, Belém/PA.

Marisa Monte & Cesária Évora - É Doce Morrer no Mar



Minhas lágrimas salgadas, fundem-se, confundem-se com o doce Mar

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

sexta-feira, 16 de julho de 2010


Este é o trem em que viajei na minha imaginação. Fui ao Canadá e voltei em tres segundos de tempo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cris

Tu és a estória da minha história, quando fugi de ti, me aproximei da tua cor, do teu perfume e do teu encanto.

Abstracionismo Humano

Na parede do meu quarto, estava o teu retrato em preto e branco. Parecias sorrir pra mim e eu te odiava, cada vez que eu te olhava, odiava-te mais, e mais distante te queria.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

ÊXODO

A mão do homem mata as verdes matas. A mão do homem destrói a razão
Pensa em mudar pra ser melhor sozinho.
E acaba indo pela contramão.
O homem sai abandonando as terras
O outro chega, e vem arar o chão. Pensa em mudar pra ser melhor sozinho.
E acaba indo pela contramão.
O encanto que tinha o Amazonas
As lendas do Bôto e Sinhá
O Curupira rei das matas (Bis)
Matinta Perêra onde está?
O mito lendário morreu.
O homem doutor esqueceu.
Nas terras que plantei meu nome
Hoje morrem de fome
Por que se perdeu. (Bis)

Música de Rosana Rodrigues

Pele

Pele pelo avesso, dei ao meu amor um preço, e por ele paguei muito mais.
Por amor eu adoeci, me doei, e, envelheci.
Como porta-bandeira
Que carrega os carnavais
Por amor eu adoeci, me doei, e, envelheci.
Como porta bandeira.
Que carrega os carnavais.Pele
Letra e Música de Rosana Rodrigues
Pele pelo avesso, dei ao meu amor um preço, e por ele paguei muito mais.
Por amor eu adoeci, me doei, e, envelheci.
Como porta-bandeira
Que carrega os carnavais
Por amor eu adoeci, me doei, e, envelheci.
Como porta bandeira.
Que carrega os carnavais.

Música de Rosana Rodrigues

AMNESTESIOLOGISTA

Magda leu no horóscopo, que o proletariado doméstico gótico, seria seriamente desvinculado do plebiscito na plenária que resultou em panfletagem da macrodrenagem.
Ataualpa Plínio, de imediato, prontificou-se em instalar os paralelepípedos para a paralelepipedovia. Arriscou-se, e, embrenhou-se pela hexagonal rua das jaboticabeiras. Não instalou e nem completou o que havia prometido. Ao ouvir a música, Paranguaricutirinicuaro de autoria do índio Guantanameraiaçaxibé; complicou-se, descomplicou-se e saiu mato adentro com medo de intoxicar-se com tanto agrupamento ou aglutinação de palavras, sons e pronúncias, que, de repente. Dão um nó na língua e uma dor nas pregas vocais.
Por falar em vocais, as vogais da grinalda da Valda, estavam crivadas de pedras de cristais. Os broquéis pareciam papéis, os anéis, luziam feito raios de sol, soletrando: o ouro, o ouro, o ouro. Ou era de couro? Já não sei mais se o ouro era couro, ou couro era o ouro.
Lembrei-me de Anastácio, irmão de Pablo e primo de Djanira. Anastácio era médico; anestesiologista, não gostava que dissessem que era doutor de dar anestesia. Pablo, que tinha problema de fala, não falava anestesiologista. Dizia, aminestesiologista, ficava ainda pior: só ele pronunciava. Será que Pablo tinha mesmo problema de fala? Ou falava para dificultar? Sei lá, deixa pra lá. Não é neologismo e nem gíria pra gente falar. Errado está o Pablito em amnestesiologista pronunciar.
Por Rosana Rodrigues

SOMBRAS E SOBRAS

Gerações, confusões, inúmeras confissões. Entre perdas e danos danaram-se na corda bamba. A denúncia do não querer mais, mais tarde com a ineficiência de protesto e com o pretexto da demora; Foram-se imbecís devotos.Descrente estava sentada alí, num monte de restrições que mais pareciam excrementos.
Por Rosana Rodrigues

A CRÍTICA

A crítica avançou ilicitamente à frente fria.
Não conteve modos, atirou a primeira pedra, a primeira queda.
Caído e quase morto, mofou no jornal sangrento.
Não há tempo, não há medo.
Apenas formas completas e delinqüentes
Vírus exacerbado apático.
A crítica avançou o tempo, ultrapassou as formas e deformou meu pranto.
Espanto-me, pois não sou santo, e nem satânico sou.
Apenas vôo nas entrelinhas da dimensão noturna
Que vaga a deriva buscando a sensatez demente
Apenas sente essa clemência oculta.


Rosana Rodrigues
29-07-1992

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Metades

Crédito - Body-Art - www.art-e-manhas.com/2009/05/pintura...

Duas. Metades... metades em mim, metade de ti.
Meta, metades de nós.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

In Sano

Insano, in dentro da dualidade das possibilidades de desejos; fontes sobrenaturais do eu em ti existir. In truso em transe incluso.
Insano estou, insano sou, insano vivo. (minha)

flor do desejo